1 de outubro de 2011 - por: Lucas

Pelos Direitos do Humor? – Por Mya Pacioni

A mídia no pé dos comediantes… De novo?

Novamente um comediante erra a dose e deixa escapar na mídia pública o que não deveria. [leia aqui na íntegra a matéia da Veja SP].
Muito pode ser dito sobre a matéria da Veja SP, muitas teorias, indagações, explicaçãos, justificativas… Eles mesmos apontaram diversos ‘motivos’ pra que o comentário do Rafinha seja apontado como ‘infeliz’. Mas sempre vai parecer que a mídia fica na moita esperando a primeira frase de duplo sentido que saia da boca do Rafinha pra dar o bote e anunciar que todos comediantes são uma corja de mal educados.
Pra quem quiser se interar, tem até uma lista de frases infelizes que o Rafinha e outros comediantes já disseram.

 

Ok, ok. Já entendemos que o público não vai engolir metade das piadas de humor negro. Realmente há piadas que seriam muito engraçadas se ditas na sala de casa entre amigos, na mesa do bar ou em qualquer outro lugar. Só que na TV esse tipo de comentário te transforma num monstro.

Mas e agora? Quem vai mudar a postura? Os humoristas vão ‘pegar leve’ e [talvez] comprometer seu trabalho que é essencialmente formado pelo direito de falar o que vem à mente ou o público vai aceitar que é assim mesmo e pronto?
Eu sei que estão criticando grosserias, e não necessariamente – ou somente – piadas de valor crítico, mas se houver freio em qualquer área do pensamento, não será mais uma arte livre.
Muito diferente de artistas de rua que prejudicam o patrimônio público, artistas plásticos que maltratam animais e outras agressões realmente agressivas, as palavras podem ser interpretadas e ‘doídas’ de muitas formas. Serão os humoristas preconceituosos, pervertidos, sem amor no coração, estupradores morais? Talvez…?
Deveriam poder falar do que quiserem, seja uma piada sexual, racista, imoral, criticando a sociedade, criticando a política, criticando a si mesmos ou simplesmente neutra. Desde que a piada seja uma piada. E seja boa. E bem contada. Tá valendo.

O que não vale é condenar uma classe inteira por culpa de um comentário. Comentário, que fique bem claro, não era uma piada.

O termo “stand up”, diferente do que muitos pensam, não significa ‘em pé’ [pelo fato do comediante ficar em pé] e sim “se imponha”, de “stand up for your rights”, “vá em frente”, “lute”, “defenda seu direito”… E já que o único poder que eles tem é o da palavra cômica, do texto inusitado, da sociedade distorcida, lógico que todos humoristas vão usar da ‘liberdade de expressão’ pra se proteger (mesmo que pra defender um comentário infeliz do coleguinha que podia ter ficado quieto e nada disso teria acontecido). Mas defendam o direito de ‘piadar’, não de falar bobagens.

Olha, ainda acho mais fácil só pedir pro pessoal lavar a boca com sabão quando estiverem na TV. Sabe, eles não aguentam o tranco…

Por Mya Pacioni.