18 de abril de 2011 - por: Lucas Calixto

Carol Zoccoli escreve sobre a mulher no humor

Ou seria `um humor na mulher´?

No evento Risadaria desse ano, festival de humor realizado em São Paulo, fui convidada a participar de um debate chamado “Mulheres no Humor”. O debate aconteceu, mas eu fiquei com a impressão de que tinha mais para dizer. Aqui vai.

Em primeiro lugar, não sou uma “mulher” no humor, sou humorista. “Mulher” no humor significa uma “mulher”, com aspas mesmo, mulher no sentido estereotipado do termo: alguém que a sociedade valoriza por possuir condições ideais para parir. Isso inclui o quanto ela é atraente para o macho, e em um país como o Brasil, cujo cartão de visita é a imagem de uma mulher coberta apenas por purpurina requebrando ao som de um requebrante samba, essa qualidade é bastante apreciada.

Fato é que na grande maioria dos programas de humor da televisão – expoente máximo da comunicação de massa – a mulher ocupa ou um papel secundário ou um papel decorativo (decora com a bunda). Incompetência das mulheres ou insegurança dos homens? Deixo a você, meu caríssimo leitor, a decisão. Portanto, se você não é “meiga”, “delicada” ou “gostosona” as suas opções ficam bastante reduzidas. Parabéns à MTV que apostou nos grandes talentos de Dani Calabresa e Tata Werneck, e, será por acaso que são as grandes estrelas dos programas que apresentam? Essa eu respondo: NÃO! Elas são ótimas no que fazem, suam a camisa (eu mesma já vi duas vezes a Tata Werneck com pizza embaixo do braço!).

Eu já ouvi de um diretor de TV a seguinte frase: “Para fazer piadas eu já tenho os homens. Não preciso de uma mulher que saiba fazer piadas”. Meus anos de dedicação passaram em um filminho na minha cabeça… Em um grupo de stand-up aconteceu algo semelhante: um cara me convidou para entrar no grupo porque eles precisavam de uma “mulher”. O grupo acabou, acho que porque eles deveriam ter ido atrás de humoristas… Essas e outras me fizeram perceber que o meu lugar não é o lugar de uma “mulher” em um programa de humor, em um espetáculo de humor ou em um debate de humor. Eu sou humorista, eu CRIO as minhas piadas, eu CRIO o meu humor. Consegui aplausos com piadas tanto em inglês quanto em francês aqui no Canadá. Eu sei fazer rir na minha língua, eu sei fazer rir em outras línguas, eu sei fazer rir sem falar nada. Eu não sou uma MULHER no humor, eu sou um HUMOR na mulher.

 

Carol Zoccoli faz parte do Stand Up Comedy Brasil e escreve no blog Nada Consta. Quer acompanhar? Só clicar aqui